Grupo de Alunos do INEAF e NAEA acompanham as mobilizações do Acampamento Pedagógico Oziel Alves Pereira.

Na véspera dos 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, no dia 16 de abril de 2026, quinta-feira, discentes vinculados ao Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (INEAF) e ao Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), da Universidade Federal do Pará (UFPA), participaram de uma programação de atividades no sudeste paraense voltada à reflexão sobre memória, reforma agrária e organização social no campo. A agenda teve início com a participação em plenária do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizada no Instituto Latino-Americano de Agroecologia (IALA), localizado em Palmares II, no município de Parauapebas. O encontro reuniu educadores, jovens e dirigentes do movimento, promovendo o debate sobre temas como reforma agrária popular, agroecologia e o papel da memória histórica na luta pela terra na Amazônia. Entre os participantes, esteve o dirigente João Pedro Stédile, que dialogou com os presentes sobre os desafios contemporâneos do campo brasileiro.

Ainda no período diurno, o grupo visitou o acampamento Terra e Liberdade, situado na região entre Parauapebas e Curionópolis, atualmente reconhecido como o maior acampamento do MST no país. Durante a visita, os estudantes dialogaram com famílias acampadas e puderam observar, de forma direta, as condições de vida no local. Destacaram-se as estratégias de organização coletiva e o potencial produtivo da área, projetada como futuro assentamento com base em princípios agroecológicos. Ainda pela tarde o grupo se dirigiu até o Acampamento Pedagógico Oziel Alves Pereira. As atividades incluíram a participação em um ato público na Curva do S, com o fechamento simbólico da rodovia nos sentidos Marabá, São Geraldo do Araguaia e Parauapebas. A mobilização retomou o trajeto da marcha interrompida no dia 17 de abril de 1996, reunindo integrantes do MST, movimentos sociais e comunidades camponesas. Durante o ato, foram reiteradas denúncias relacionadas à violência no campo e reivindicações por políticas estruturais voltadas à reforma agrária.

A programação foi encerrada com uma vigília em homenagem às vítimas do massacre no acampamento. O momento reuniu famílias assentadas, jovens e representantes de movimentos sociais em atividades simbólicas, incluindo manifestações culturais, depoimentos e períodos de silêncio. A vigília reafirmou o compromisso coletivo com a preservação da memória histórica e com a continuidade da luta por acesso à terra, justiça social e dignidade na região amazônica. As atividades evidenciam o papel das instituições acadêmicas e dos movimentos sociais na construção de espaços de reflexão crítica, formação política e valorização da memória, especialmente em contextos marcados por conflitos agrários e desigualdades históricas.

Autoria: José Ribamar

Revisão: Evelyn Neves

 

Seminário reuniu especialistas que apresentaram dados históricos sobre a Guerrilha do Araguaia e os impactos da ditadura militar na região

No dia 14 de abril de 2026, terça-feira, a equipe de estudantes do INEAF e NAEA coordenada pelo professor Frederico Brandão participou de uma atividade acadêmica no campus da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), voltada à discussão da memória, da resistência e da repressão no sudeste paraense, com foco na Guerrilha do Araguaia e nos desdobramentos da ditadura militar brasileira. A mesa foi composta pelos pesquisadores Naurinete Fernandes Inácio Reis e Janailson Macêdo Luiz, além do estudante Paulo Fonteles Filho que compartilhou relatos sobre sua trajetória familiar. Durante a atividade, foram apresentadas análises sobre os processos de apagamento histórico, violência institucional e as práticas de repressão direcionadas não apenas aos militantes guerrilheiros, mas também às populações indígenas e camponesas. Um dos destaques do seminário foi a exposição do professor Janailson Macêdo sobre a trajetória de Gabriel Pimenta, advogado mineiro que atuou no Pará durante o período de redemocratização. Reconhecido por sua atuação junto à Comissão Pastoral da Terra (CPT), Pimenta teve papel relevante na organização sindical e na defesa jurídica de trabalhadores rurais em conflitos fundiários. Seu assassinato, em 1982, foi apontado como um caso emblemático de violência política, posteriormente reconhecido em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, em 2022, que responsabilizou o Estado brasileiro.

As discussões também abordaram a Guerrilha do Araguaia e a atuação das forças militares na região. Segundo os participantes, a repressão não se limitou aos integrantes da guerrilha, alcançando de forma sistemática comunidades camponesas, sob a suspeita de apoio aos insurgentes. Nesse contexto, a chamada “Casa Azul”, localizada em Marabá, foi mencionada como um dos principais símbolos da repressão. Operada pelo Centro de Informações do Exército (CIE), a estrutura funcionou como base estratégica para o combate à Guerrilha do Araguaia e para a ocultação de práticas repressivas, tendo funcionado como centro clandestino de detenção e tortura entre 1972 e 1974. Durante o seminário foi destacado ainda a importância da atuação da mídia independente e da transformação de espaços marcados pela violência em locais de memória e reflexão. O desaparecimento forçado foi caracterizado como um crime continuado, cujos efeitos persistem na estrutura democrática do país. A análise apresentada ao longo do encontro ressaltou que as estruturas de repressão implementadas na década de 1970 deixaram um legado duradouro, influenciando conflitos agrários posteriores e contribuindo para a militarização das questões fundiárias.

Foram citados episódios como a chamada “Guerra dos Perdidos” (1976) e ações de monitoramento de movimentos sociais que se estenderam até os anos 2000. Também foi enfatizada a compreensão jurídica do desaparecimento forçado como crime permanente, conforme decisões internacionais, enquanto não houver esclarecimento sobre as circunstâncias das mortes e localização dos corpos das vítimas. Os debates apontaram para a necessidade de medidas institucionais voltadas à preservação da memória histórica. Entre as propostas destacadas estão o tombamento da Casa Azul e sua transformação em espaço de memória, a revisão de homenagens públicas a agentes ligados à repressão e o fortalecimento de parcerias entre universidades e movimentos sociais para registro de memórias orais. A programação foi encerrada com visita à Curva do S, local simbólico do massacre de Eldorado dos Carajás, onde integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) organizavam atividades em memória das vítimas. O grupo de estudantes seguiu posteriormente para Eldorado dos Carajás, onde realizou pernoite. A atividade reforça o papel das instituições de ensino na promoção do debate crítico e na preservação da memória histórica, especialmente em regiões marcadas por conflitos sociais e violações de direitos humanos.

Autoria: Rafael Valente e Wilson Sampaio

Nesta segunda-feira(13/04) alunos do INEAF e NAEA iniciaram uma viagem de campo até o sudeste do Pará. A viagem que faz parte da disciplina Questões Agrárias, ministrada pelo professor Frederico Brandão, busca proporcionar aos estudantes o acompanhamento das atividades realizadas no quadro dos 30 anos do Massacre de El Dorado dos Carajás. O grupo foi recebido na Fundação Social Agroambiental Cabanagem, local de acolhimento da Comissão Pastoral da Terra em Marabá, durante a acolhida contamos com a presença de Nete ( UNIFESPA), Janailson (UNIFESSPA), Giliade( IEDAR/UNIFESSPA).Foi realizada uma dinâmica de interação pedagogia entre os participantes, estudantes e professores.

Grupo saindo de Belém até Marabá.

 

Jantar de integração e acolhida na Cabanagem com presença de convidados.

 

"O que de fato unifica a Amazônia é a diversidade e eu acho que esse território expressa isso de modo muito significativo desde a relevância da castanha-do-pará, pecuária, atividades de mineração, soja e outros produtos de monocultura [...] Isso faz a região ser um grande caldeirão de conflitos e contradições e também um espaço adequado para quem tem a perspectiva de pesquisa engajada", disse o professor Giliade Silva em comentário sobre as pesquisas realizadas na região.

 

O grupo segue em pesquisa de campo até sexta-feira (17/04) e fará o retorno no sábado (18/04) pela manhã.  

 

Autoria Por: Evelyn Neves e Diego Marcos

Temos o prazer de anunciar o nosso primeiro card de divulgação do seminário “Saberes da Amazônia: Conexões Interdisciplinares entre Território, Sociedade e Natureza”, que acontecerá no dia 30 de abril, no campus Guamá da UFPA.

Este evento reunirá reflexões fundamentais sobre a Amazônia, promovendo diálogos entre diferentes áreas do conhecimento e valorizando as múltiplas formas de saber que emergem do território amazônico.

Em breve, divulgaremos a programação completa e a abertura das inscrições.

Todas as informações estarão disponíveis no site do PPGAA.

Fique atento(a) e acompanhe nossas próximas atualizações!