A atividade encerrou a visita de campo de estudantes do INEAF e NAEA
No dia 17 de abril, sexta-feira, foi encerrada a visita de campo realizada por estudantes do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (INEAF) e do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), no sudeste do Pará. A programação, desenvolvida ao longo de quatro dias, proporcionou reflexões sobre a dinâmica histórica, social e política da região, marcada por conflitos agrários, concentração fundiária e pela atuação de grandes empreendimentos econômicos, mas também por processos contínuos de resistência protagonizados por movimentos sociais. A data remete ao Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, quando trabalhadores rurais sem terra, organizados em marcha, foram reprimidos por forças da Polícia Militar, resultando na morte de 19 pessoas na chamada curva do S, localizada na PA-155. O episódio tornou-se um dos principais marcos da violência no campo brasileiro, evidenciando desigualdades estruturais no acesso à terra e gerando repercussão nacional e internacional.
Três décadas após o ocorrido, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou uma marcha até a Curva do S. A mobilização teve como objetivo reafirmar a memória dos trabalhadores assassinados e destacar a permanência da luta pela reforma agrária no país. Mais do que um ato simbólico, a marcha evidenciou elevado nível de organização coletiva. A estrutura do movimento foi composta por diferentes funções e responsabilidades, incluindo equipes de segurança, batedores, coordenação central, lideranças nacionais e locais, além de responsáveis pela condução de palavras de ordem, registros audiovisuais e representação simbólica. Esse arranjo demonstra planejamento, articulação política e capacidade de mobilização social. A participação de pessoas de diferentes faixas etárias — jovens, adultos e idosos — foi apontada como um indicativo da continuidade histórica da luta no campo e da consolidação do campesinato como sujeito político. Nesse contexto, a marcha se configura como uma forma de resistência ativa, articulando reivindicações por acesso à terra, produção agrícola e soberania alimentar, ao mesmo tempo em que denuncia a permanência de violências estruturais no meio rural.
A Curva do S, portanto, mantém-se como um território de memória e denúncia, mas também como espaço de reafirmação da luta coletiva por justiça social e transformação das estruturas agrárias no Brasil. O encerramento da visita de campo nesse local reforça o papel da formação acadêmica na compreensão crítica da realidade amazônica e na valorização das experiências históricas de resistência.
Autoria: Jainara Araújo e Vanessa Silva
